
Hoje consegui estancar a hemorragia. Ou será que foi ontem? O sangue que já perdi, com toda certeza me fará falta, mas meu corpo se empenhará para repor e compensar a perda. Senti um pouco de dor, não sei se pela ferida, ou por ver que eu perdia parte de mim.
Ver todo aquele sangue, indo embora num tom forte. Meu sangue é grosso. As gotas que me escorreram pelo corpo caíram na calçada e as marcas ainda estão lá. Só não consigo é me lembrar se foi hoje ou ontem que a hemorragia parou. Não importa.
Agora não perco mais pedaços de mim por aí. A ferida ainda está aberta, em carne viva. Dói só de olhar. Mas é só uma ferida, e mais cedo ou mais tarde ela precisa fechar. Caso ela não se feche, eu morro. Morro consumida por toda a dor e todos os problemas que a ferida me trouxe. Ela vai se fechar.
Mas me atrai a possibilidade de morrer. Caso eu consiga renascer serei outra. Mas também, eu gostaria muito de ter a cicatriz, lembrando o tanto que um dia sangrei.
É estranho porque falo como se as coisas estivessem em minhas mãos. Mas não, elas não estão.

