brindemos o 18º dia dos namorados solitario. "brindar sozinho não tem graça". mas quando digo solitario, digo sem uma pessoa que vc discute a relação, que vc passeia de mão dada, que vc almoça com os pais e que você ama nos dois sentidos. não que eu esteja arrasado, sentado no sofá tomando um pote inteiro de sorvete sozinho (essa palavra me persegue?), mas o desconhecido nos traz curiosidade.
peço licença pra contar daquela namoradinha do ensino fudamental que fez com que ao menos um 12 de junho fosse relembrado com ar de nostalgia. ela não me deu um perfume, isso sempre foi mamãe que comprou, mas marcou mais que uma fragancia de sei la o que. arrisco afirmar que foi na 6ª serie, e eu passeava na rua quando achei 5 reais perdido no asfalto. 5 reais da pra comprar uma caixa de bombom. namorados dão bombom de presente no dia de hoje. e no dia de hoje, anos atras comprei uma caixa. era em forma de coração (todos estão cansados de saber que o amor é brega). enchi de bombom. de uniforme cinza, antes de ve-la as bochecas ja ganhavam um tom de vermelho/rosa. desci a rampa, e como num comercial la estava ela cercada das amigas, que sempre foram também as minhas amigas. chamei uma delas e disse: "entrega ela pra mim" (ninguem ouse me chamar de covarde, isso eh timidez!). so faltou eu ter chegado em um cavalo branco e ter cabelo louro, comprido e liso: "nossa rafa, que lindoo" - diziam as amigas. "ela gostou demais". e ao fundo se ouvia tbm: "ei, eu quero um. pode ser sonho de valsa". "eu quero um serenata". "não gente, ela vai comer sozinha uai" - tinha uma sensata no grupo. mas bom mesmo foi quando veio uma e me disse: "ela vai retribuir seu presente. vai te dar um beijinho, ainda não é boca. vai ali atras da biblioteca". e meus hormonios começaram a dar sinal de vida. e la vai eu atras da biblioteca; eu e uma plateia. eu virei a buchecha, fechei os olhos (o comercial de tv continuava) e: kiss! nenhum outro beijo no rosto fez minhas pernas tremerem tanto! era como ganhar asinhas no calcanhar e flutuar. era realmente, como se o mundo tivesse parado ali. o amor era mesmo brega. passamos o ano trocando cartinhas romanticas, passei o ano tentando um beijo mais pro lado, passei o ano suspirando e chegou a festa junina da 7ª serie. blusa xadrez, calça com retalho, bandeirolas, e finalmente o meu beijo. jamais esqueci daquela mistura de labios, lingua, e do gosto de cajuzinho... ah maldito cajuzinho... maldito cupido idiota... maldito amor puro!
Um comentário:
que graciiiinha!
amores de pré-adolescência são sempre "verdadeiros", e sempre emocionantes!
bons tempos!
gostei da historinha ^^
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