sexta-feira, 18 de julho de 2008

A bomba

Ele tinha dois planos. Não era um plano a e um plano b. Nem um primeiro plano e um segundo plano. Era um plano e outro plano.

Ele estava terminando seu terceiro ano e se não desse um rumo na vida ia tomar pau pela segunda vez concecutiva. Seu boletim não era dos melhores e ganhava dos piores. Estudava em um colégio tradicional da sua cidade. Se pegasse mais de três notas vermelhas era mais uma bomba e expulsão do colégio (inadimicivel para seus pais).

Acabara de entrar para o quarto bimestre e ainda lhe faltava muitos pontos pra conseguir se formar. Isso é, pra passar de ano ainda com umas duas recuperações. Estava na hora de tomar jeito, largar o cigarro e começar a estudar. Caso o contrario,
1) levaria uma surra do seu pai,
2) perdeira toda a mesada durante um ano,
3) iria para um colégio interno,
além de, é claro, acumular sua segunda bomba em uma mesma série.

Havia quatro materias que lhe enchiam o saco durante toda a sua vida escolar: matematica, fisica, quimica e historia. Só chegou no terceiro ano graças a dependências e empurrãozinhos dos professores. Mas esse ano tinha vestibular e não podia ter moleza. A unica opção era estudar, estudar, estudar, revisar, calcular, experimentar, decorar.
Em historia tava tranquilo, ele até gostava de ler, só não fazia por pura preguiça. O problema estava nas outras três, principalmente na física. Fisíca não entrava na sua cabeça de jeito nenhum.

Numa tarde de terça feira traçou um dos plano. Um plano de estudo, com horarios definidos para cada matéria, com acompanhamento do reforço da escola e tudo. Era só tomar coragem na cara e coloca-lo em prática. Porém, na quarta feira a noite ele foi ao cinema e traçou o outro plano. Não sei se chegou a traça-lo mas não parava de imaginar a respeito. Assistira um filme em que um grupo de alunos matam a professora para poderem se formar. Loucura total. Mas quem o conhecia se soubesse disso na certa não iria duvidar que ele tivesse mesmo coragem de fazer isso. Ele era estranho, misterioso, e ninguem o conhecia direito. Nem eu.

Não sei se ele passou de ano, nem como isso tudo terminou. Sei que ele começou mesmo a estudar e toda tarde voltava ao colégio para o reforço. Na mochila sempre levava seus livros e um moleton caso esfriasse. E Não deixava para trás também uma faca bem afiada.
Nós, seres humanos, estamos sempre mudando de idéia mesmo.

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