segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Quatro

Outro problema é a realidade.

Ela se torna tão real que acabamos fugindo dela. Precisamos ser enganados. É quando choro aos téus pés que eu mais te amo. A realidade não cabe dentro de nós. Nem o amor. E gozar também significa joga-lo pra fora, expeli-lo - na porra, ou no grito. Minhas lágrimas são como uma metáfora do cão que mija no sofá pra marcar seu território.

Meu amor vira posse.

Ahh, se me bastasse acretidar e acalmar com juras româtincas de amor eterno e mentiras carinhosas. É preciso ouvir o coração disparar toda vez que procuro em ti rastros de outros homens.

Sentimento maior egoísta.

O que nos salva é o sexo. Pelo menos dele eu gosto muito. É quando nós dois alcançamos a liberdade. Eu só te deixo livre na hora da cama. Também tens que gozar o seu amor.

Outra vez igual cachorro.

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