
Assisto-o à minha frente todos os dias. Conheço cada um de seus movimentos. Sei quando ele larga a borracha para pegar o lápis,sei quando ele termina sua atividade. Eu sei quando ele não sabe a resposta,porque inclina a cabeça para a esquerda e apoia o queixo sobre a mão.
Eu sei que ele não conversa,nem olha para os lados,porque se o professor pronunciar seu nome, ele se afoga em sua timidez.
Ele me empresta os deveres,a garota da outra fila também. Ele sempre faz. Ele se sai bem bem em química,às vezes em física,e também inglês. Colo dele nessas provas. Nem sempre passo cola. Também colo da garota da fila ao lado.
Ele permanece calado. Mas se alguém o chamar,talvez ele responda com um sorriso.
Ele é baixinho,quase não fala. Mas quando ele falta,vejo um vazio imenso à minha frente.
O nome disso não é carinho,não é amor,não é amizade. O nome disso é rotina. Eu odeio essa porra dessa rotina.
3 comentários:
querida, excelente texto... to precisando escrever coisas assim!
obrigada,rs
sala de aula+ ócio = textos pro simpaz !
kk
É thaynara, mais clichê impossível o tal do "cair na rotina", mas infelizmente acontece. Agente tem que usar a cabeça e passar por outra rua, pegar outro ônibus, tomar algo diferente, passar pelo outro lado da calçada, porque sempre tem um lado que agente passa mais já reparou? Jogar a mochila em outro canto do quarto, almoçar sentado em outra cadeira. Fumar com a outra mão. An ? =)
Enfim, agente pode fazer uma série de pequenas coisas que já fazem diferença.
O problema está aí, "acostumei".
Tem um texto do Edson Marques (quer dizer alguns falam que é dele outros que é de Clarisse Lispector, o negócio está até na justiça...mas eu acho que é dele mesmo!!!) Enfim, fala sobre mudanças...
Lindíssimo...
"Mude, mas comece devagar, porque a direção e mais importante que a velocidade.
Mude, lembre-se que a vida e uma só..."
Mudar, mudar e mudar!
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