O que eu vejo, ninguém mais vê. Assim como o que você vê, ninguém mais vê. Nem eu. Meu avô é que gostava de falar 'Eu vi, com esses dois olhos que a terra há de comer'. Ela que não perca tempo com os meus. O que eles têm de gostoso ela não come. O que vi pelo caminho vai comigo, ainda que eu não saiba pra onde. Todos os tons do verde, azul e vermelho, e as n combinações entre elas a terra não come. Marrom de terra, de bolo de chocolate, de café na mesa, de violão desafinado, não come. O branco da sua cueca não lhe abre o apetite. E falando nisso, poucas as vezes que te vi usando cuecas de cores fortes, como o roxo. Roxo mesmo só na gravata que usou no casamento da sua irmã, que se casou de branco. Branco igual suas cuecas. Mas isso é outro assunto.
Pra terra, verde falta tempero. Verde da embalagem de Sazon, do cheiro de mato, verde maconha, verde bandeira, verde da quase extinta nota de um real. Talvez o verde dos seus olhos ela goste. O amarelo do seu cabelo ela não gosta. Nem do amarelo de sol, da cerveja e de alguns sorrissos. Aquele jardim todo colorido lhe enjôa. Só não sei falar extamente que cores eram porque, pra falar a verdade, quando estou com você não tenho olhos para mais nada. Já quase bati o carro porque não notei o vermelho do semafaro. Não enxergo nada, nem o vermelho do semafaro nem o do eslmalte da mulata. Nem da roupa da vitrine, do batom, nadinha.
Ainda tem o tempo. Esse é que não enxergo mesmo. É so deitar no seu colo. Ele pode passar em rosa choque que eu não vejo. E é ai que me fica a dúvida: será que a sete palmos do chão, quando a terra comer meus dois olhos, vou ver qual o tom o tempo tem?
Pra terra, verde falta tempero. Verde da embalagem de Sazon, do cheiro de mato, verde maconha, verde bandeira, verde da quase extinta nota de um real. Talvez o verde dos seus olhos ela goste. O amarelo do seu cabelo ela não gosta. Nem do amarelo de sol, da cerveja e de alguns sorrissos. Aquele jardim todo colorido lhe enjôa. Só não sei falar extamente que cores eram porque, pra falar a verdade, quando estou com você não tenho olhos para mais nada. Já quase bati o carro porque não notei o vermelho do semafaro. Não enxergo nada, nem o vermelho do semafaro nem o do eslmalte da mulata. Nem da roupa da vitrine, do batom, nadinha.
Ainda tem o tempo. Esse é que não enxergo mesmo. É so deitar no seu colo. Ele pode passar em rosa choque que eu não vejo. E é ai que me fica a dúvida: será que a sete palmos do chão, quando a terra comer meus dois olhos, vou ver qual o tom o tempo tem?
Um comentário:
tenho achado tudo tão lindo! lindo mesmo, de coração. é uma simplicidade tão expressiva...
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